quinta-feira, 18 de outubro de 2018

A HISTÓRIA DE JOÃO E FABIO


WROBLESKI, J.V.

            João e Fabio nasceram no mesmo dia. A mãe de João foi atendida em um hospital público, ficou no corredor em uma cadeira, até poucos momentos antes do parto, quando finalmente foi levada para uma cama, pois o hospital sempre está lotado e tem dificuldades em disponibilizar leitos para toda a população.
            A mãe de Fabio foi atendida em um hospital particular, no qual seu marido trabalha como médico e é sócio. Teve um leito a sua disposição, desde o momento que sentiu os primeiros indícios de que era chegada a hora do nascimento do bebê.
            A mãe de João não foi tratada com muita atenção, pois a equipe médica é muito menor do que a demanda do hospital, fazendo com que tenham que atender várias pessoas ao mesmo tempo.
            Já a mãe de Fabio, foi tratada do melhor modo possível, pois apesar de a equipe não ser tão grande, dedicaram vários profissionais ao atendimento da esposa de um dos donos do hospital.
            Após o parto, a mãe de João ficou um tempo com seu bebê, durante a licença maternidade, mas logo teve que voltar para seu trabalho como funcionaria doméstica e precisou deixar o filho ainda bebê em um CEMEI, pois não contava com ninguém em sua família que pudesse cuidar do filho enquanto trabalhava. Ficar sem trabalhar seria inviável, ainda mais, tendo agora mais uma boca para alimentar, fraudas para comprar e todos os gastos comuns de um bebê.
            Precisavam da renda dela e do marido para sobreviver, pois somente com os novecentos e poucos reais do salário dela como doméstica e os mil e quinhentos reais do marido trabalhando como pedreiro, conseguem pagar os quinhentos reais de mercado, cento e cinquenta reais de luz, mais os cem reais de água e esgoto, roupas, que raramente compram, somente quando precisam, pois não podem se dar ao luxo de desperdiçar, as prestações dos moveis da casa para o recebimento do bebê, como berço, um carrinho de nenê, simples, mas ainda assim com um custo e por fim pagam oitocentos reais da parcela da casa própria que financiaram, para não ficarem desperdiçando dinheiro em aluguel, por fim acabam gastando por volta de mil e seiscentos reais por mês, sobrando menos de setecentos, que os pais de João guardam na poupança, pensando em ter um recurso caso tenham algum imprevisto, ou talvez mais tarde conseguirem negociar algum desconto quitando a casa antes do tempo.
            Já a mãe de Fabio trabalhou por algum tempo, mas ao engravida, decidiram que se dedicaria apenas a cuidar do filho, afinal com os ganhos de aproximadamente trinta mil reais por mês, do pai de Fabio, eles conseguem tranquilamente pagar todos os gastos, inclusive os novos referentes ao bebê.
            João e Fabio começaram a estudar na escola regular, João foi para uma escola pública, tinha trinta e cinco colegas de sala, a professora raramente conseguia explicar de maneira individualizada o conteúdo, mesmo João indo pedir a ela se poderia explicar melhor, ela o ignorava, algumas vezes afirmando que ele era “burro demais para entender”.
            Fabio foi para uma escola particular, tinha quinze colegas de sala e duas professoras, enquanto uma explicava o conteúdo para todos os alunos, outra ia de carteira em carteira esclarecendo as duvidas individuais.
            Aos doze anos a mãe de João foi chamada na escola, por causa das baixas notas do filho. A professora disse que se ele tirasse mais uma nota baixa em matemática seria reprovado de ano, pela segunda vez, já que ele havia reprovado a quinta série por não ir bem na mesma matéria, apesar de ter notas razoáveis em outras, e até mesmo um destaque nas notas da matéria de história. Mas o fato de ir mal em matemática, fez com que ele precisasse refazer toda a quinta série e agora aconteceria o mesmo na sexta série. A mãe de João ficou revoltada, pois o filho só tinha que estudar, ela se matava de trabalhar o dia todo para poder sustentá-lo, o pai a mesma coisa e ele nem para estudar prestava! Quando chegaram em casa, a mãe de João no auge de sua revolta, bateu no filho por várias vezes.
            A mãe de Fabio foi chamada na escola porque boa parte das notas de Fabio estavam baixas, a professora explicou para a mãe, que apesar de Fabio ir muito bem em artes e biologia, ele estava com notas muito baixas nas outras matérias. Ao chegarem em casa, a mãe de Fabio relatou a seu pai o que tinha ouvido na escola, ambos decidiram que a partir da outra semana, Fabio teria aulas particulares, para melhorar nas matérias que estava com notas baixas.
            João realizou uma prova de matemática, a matéria que precisava de nota, ao receber a avaliação corrigida, descobriu que sua nota era quatro pontos de dez, o que faria ele reprovar novamente de ano, mas João deu uma olhada na prova de um colega que se exibia pelo fato de ter tirado nove na prova e viu que o colega tinha respostas iguais a dele na maioria dos problemas apresentados na avaliação. Confuso se seria a forma de ele resolver que estaria errada, já que o resultado final era o mesmo, ele resolveu questionar sua professora a respeito, a resposta que ouviu da professora, foi que: “só um preto burro para querer me ensinar a fazer o meu trabalho.” Se revoltou com a afirmação, pois a essa altura da vida, já tinha sofrido vários episódios de racismo, que lhe davam plena consciência da agressão da professora. Sua resposta foi um murro no rosto dela, o resultado disso, foi à expulsão de João da escola. E uma notificação do conselho tutelar a seus pais. Novamente João é agredido pela mãe, mas ele não sente ódio da mãe, apenas fica confuso, como pode ele que foi agredido primeiro, ser punido por se defender, enquanto a professora racista, continuava em pleno exercício do seu preconceito na escola.
            Fabio após o acompanhamento com um professor particular, teve uma melhora nas notas, nada de grande destaque, mas o suficiente para ser aprovado de um ano para outro.
            João agora está pela rua, sem fazer nada além de jogar bola o dia todo, pois após ser expulso da escola, se recusou a ir para outra, seu pai depois de alguns meses, preocupado com as companhias que o filho estava andando, convenceu o mestre de obras a permitir que ele levasse o filho para o trabalho como seu ajudante. O mestre de obras de inicio ficou resistente, pela idade do menino, com medo de ser penalizado judicialmente, mas diante da angustia do pai com a possibilidade de o filho se envolver com o tráfico de drogas local, acabou aceitando, desde que se a fiscalização aparecesse, o pai de João dissesse que só o levou para o trabalho aquele dia, porque não tinha com quem deixar o menino.
            Fabio segue em seus estudos, agora já está terminando o primeiro grau, indo para o segundo e já começa a ser questionado por sua mãe e seu pai, a respeito do que ira fazer depois de terminar a escola.
            João já está com dezoito anos, trabalhando com o pai. O mestre de obras o sob de cargo, apesar de muito jovem, João é muito dedicado, que: “trabalha sem fazer corpo mole”, segundo o mestre de obras, ele acaba se tornando pedreiro ainda aos dezoito anos. Uma honra para seu pai, que tem orgulho em contar para todos os colegas, que ele próprio precisou trabalhar por mais de dez anos, como servente, antes de se tornar oficialmente pedreiro, enquanto seu filho, depois de cinco anos de trabalho, já ocupava o mesmo cargo que ele. Com a promoção, João, agora com um salário um pouco melhor, planeja voltar aos estudos e quem sabe até fazer uma faculdade, por que não? Talvez engenharia civil, já que parece levar jeito para a coisa.
            Enquanto isso, Fabio está no primeiro ano da faculdade de medicina, até preferia artes cênicas, mas sua mãe e seu pai lhe convenceram que era melhor estudar algo mais concreto, alguma profissão mais respeitada. Se fosse medicina, já teria emprego garantido, afinal, seu pai era sócio em um hospital, para conseguir uma vaga para o filho, seria muito fácil.
            João após cinco anos consegue concluir os estudos, em um sistema supletivo, muito contente, compartilha com a família sua vontade de fazer uma faculdade, seu pai e sua mãe, dizem que não tem sentido, que ele já está muito bem empregado, que deveria se dedicar ao trabalho ao invés de ficar procurando sarna para se coçar. Mesmo não tendo o apoio familiar, João não desiste de continuar estudando, pois no supletivo conheceu uma professora que o incentivou muito a nunca desistir de seus sonhos.
            Fabio já conclui sua formação na escola de medicina, e está em sua residência, planejando qual será sua especialização, após se formar clinico geral.
            João confere todos os cursos de engenharia civil próximos de sua cidade, teria que viajar, mas apertando um pouco seus gastos, até conseguiria pagar a van e ainda ajudar financeiramente em casa. Porém, todos os cursos de engenharia eram integrais, sendo que desse modo, João não teria como trabalhar. Desistiu dessa opção, mas não de estudar, então lembrou, que antes de ser expulso da escola, ele sempre teve boas notas na matéria de história, tentou o vestibular para esse curso, que afinal tem em sua cidade mesmo, e ainda é à noite, que lhe possibilita continuar no mesmo trabalho que está.
            Fabio agora formado médico, já iniciou sua especialização em pediatria, apesar do pai incentiva-lo a ir para a área cirúrgica que seria mais respeitado, dessa vez Fabio faz sua própria escolha, pois com sua paixão por artes cênicas, cativava facilmente as crianças. Quando as atendia, sempre ia vestido com alguma fantasia ou com nariz de palhaço, fazendo brincadeiras, era um dos poucos médicos que conseguia fazer procedimentos invasivos, sem que as crianças chorassem.
            João está em seu curso de história, estudando a escravidão, ele se revolta com o que seus antepassados foram submetidos. Ele e colegas da faculdade organizam um movimento de protesto contra o racismo e outros tipos de preconceitos. Nesse protesto João é preso pela policia acusado de vandalismo, mesmo que não tenha quebrado nenhum bem público ou privado, tudo que fez, foi informar a um policial que estava em seu direito constitucional de se manifestar contra um crime social. João não permanece preso, mas é fichado e vai ter que se apresentar perante um juiz para saber o que será feito do seu caso.
            Enquanto isso, Fabio já está concluindo sua especialização, e negociando com seu pai a entrada dele no hospital.
            João se apresenta ao juiz, que de algum modo fica sabendo que ele já teria agredido uma professora na adolescência, ao ter João em sua frente o juiz afirma: “Esse tipo de gente, só dá nisso, não sei porque se reproduzem como praga no mundo!” João não vai preso, mas é sentenciado a varias horas de serviço comunitário. Para não perder o curso da faculdade, João acaba precisando trabalhar meio período na obra, para poder na outra metade pagar as horas, já que seus sábados e domingos, ele precisava para fazer os imensos trabalhos dados pelos professores da faculdade.
            Fabio já assume uma vaga no hospital que seu pai trabalha e é sócio, não teve dificuldade alguma e atende na ala pediátrica do hospital. É tido por todos como um dos melhores médicos do hospital, as crianças são apaixonadas por ele. Todos o chamam de doutor sorriso, pois dizem ser impossível manter expressão séria em sua presença, mesmo uma das enfermeiras mais antigas do hospital, muito famosa por sua antipatia, sempre sorria quando ia falar com ele.
            O mestre de obras para o qual João trabalha, começa a passar por uma queda no número de construções, e não sendo possível manter todos os funcionários, muitos são demitidos, João é um deles, afinal, além de estar trabalhando somente meio período, ainda tinha tido problemas com a lei, o que não é muito bom para nenhum patrão. Apesar de a contrariedade dos pais, que afirmavam que a faculdade só tinha trazido dores de cabeça para a família, João consegue convencer os pais a ajudarem ele a se manter até o final do curso, que no meio de tantas conturbações, se estendia por um ano a mais do que o esperado, por causa das dependências.
            Fabio está com um salário bem generoso, e conhece uma moça, jovem médica do mesmo hospital, depois de alguns meses de namoro a pede em casamento, vão morar juntos em uma casa grande e luxuosa, parte bancada como presente de casamento dado pelo seu pai.
            A essa altura, João com grande dificuldade termina sua graduação em história, começa a fazer concursos públicos tentando uma vaga como professor, mas mesmo com muitas tentativas, não consegue passar em nenhum. João tem estado bastante irritado e triste, pois com quase trinta anos, ainda vive com os pais e não consegue um emprego, mesmo com uma graduação. Sua alternativa para tentar ajudar em casa e não ser um peso morto para os pais, é conseguir algumas aulas particulares, mas de maneira geral tem que se submeter a valores quase de esmola, e mesmo assim, quando se apresenta na casa do aluno, é muito comum que os pais deem alguma desculpa para dispensa-lo de imediato, ou logo após as primeiras aulas. João sabe que não diz respeito a sua competência como professor, mas sim, a sua cor de pele.
            Fabio já conseguiu reunir um bom dinheiro com seu trabalho, ainda mais com sua esposa trabalhando com ele e também ganhando um valor razoável, ele então aproveita uma oportunidade para comprar a parte da sociedade de outro sócio de seu pai, tornando assim a família dona de mais de sessenta por cento do hospital.
            João está cada vez mais angustiado, agora desistiu de procurar emprego em sua área de formação, está à procura de qualquer coisa que lhe de sustento financeiro, mas em empregos mais básicos, não o aceitam quando descobrem que ele é graduado. As empresas sabem que pessoas com graduação tendem a conhecer melhor seus direitos e não se permitem ser escravizadas tão facilmente, por isso tendem a evitar contratá-las.
            A essa altura, o pai de Fabio já está em uma idade avançada, e decide passar para o filho o domínio sobre toda a parcela do hospital que está na família, logo Fabio consegue condição financeira para comprar outra boa parte do hospital e sua esposa compra uma pequena parte que ainda estava sob domínio de outro sócio, tornando assim o hospital de total propriedade de sua família. O lucro mensal da família gira em torno dos duzentos mil reais por mês.
            João se queixa para um amigo de infância sobre sua condição desprivilegiada, o amigo fala para ele que tem um negócio muito lucrativo que precisa de um sócio. João afirma que não tem a menor condição financeira de investir em nada, o amigo afirma que o investimento, será meramente de mão de obra, não precisando nenhum dinheiro e que o retorno era de aproximadamente cem mil reais só para ele. João, homem já estudado e experiente o suficiente para saber que nada é tão bom para ser verdade, pergunta qual é a mutreta, o amigo explica que farão um grande empréstimo no banco, de mais ou menos um milhão e meio, mas ainda precisavam de mão de obra. João rapidamente entende que se tratava de um roubo, e responde que não foi educado para isso, que seria uma imensa decepção para seus pais. O amigo afirma que ele não tem motivo para se preocupar, seria como roubar doce do mercadinho local, não seria um assalto, não usariam armas, nem mesmo teria gente no banco quando entrassem, seria apenas um roubo, fariam um túnel até o cofre e depois retirariam os pacotes de dinheiro. Ele afirma que a experiência de João com a construção civil, seria bem vinda na construção do túnel, João se recusa e vai para casa. Depois de mais um mês procurando trabalho sem encontrar, ele reencontra o amigo, que informa que o plano ainda está em pé, que já providenciaram todo o equipamento, inclusive começariam a escavar o túnel naquela semana mesmo, disse para João, que ainda tem uma vaga na equipe. João olha para o nada, com um olhar morto, e pergunta: “Quando começamos?”
            Fabio junta dinheiro o suficiente para abrir mais uma clínica em uma cidade vizinha, desse modo, aumentando a renda familiar em mais de trinta por cento.
            Depois de um mês de trabalho, João e a equipe de ladrões, conseguem retirar como o prometido, um milhão e meio do banco, mas diferente do que o amigo prometeu, cada um deles fica apenas com oitenta mil, e não com os cem mil prometidos, mas ainda assim, João está muito contente, pois sabe que trabalhando de pedreiro, levaria cinco anos para ganhar esse valor, que consegui em um mês de trabalho. Ele usa parte do dinheiro para construir uma nova casa para seus pais, já que a que eles moram estava deteriorada pelo passar dos anos, João imaginou que comprar os materiais e pagar para construírem uma nova casa no mesmo terreno, chamaria menos a atenção, do que a compra de um imóvel novo. Mas o que João não contava, era com o fato de que a “lei” sempre tem uma dedicação toda especial quando se trata de um banco que foi roubado, afinal eles não assassinaram um negro em uma favela, se fosse esse o caso, nada aconteceria, talvez nem mesmo seria investigado. Mas um roubo a banco, roubar de quem tem dinheiro... isso é imperdoável. Quem de fato organizou o roubo, foi astuto e experiente o suficiente para não deixar vestígios, jogando assim a atenção, em cima da mão de obra, de quem fez a parte mais bruta do roubo, pois os que planejaram, nunca seriam descobertos, já João, depois de seis meses do roubo, foi preso. Depois de muito tempo, foi a julgamento, no qual foi constatado que ele já tivera problemas com a lei, desde a adolescência, o que não dificultou muito sua condenação, afinal, um negro com fixa criminal, o juiz não precisou nem mesmo pensar duas vezes. João foi para um presídio, naquela mesma noite um colega presidiário tentou violar seu corpo, ele reagiu e foi espancado até a morte.
            Fabio hoje é dono de uma rede de hospitais, que conta com um hospital de porte médio, um de pequeno porte e mais três clínicas de médio porte em cidades diferentes, seu lucro mensal limpo, passa de um milhão e meio.
            SEGUNDO O SISTEMA CAPITALISTA, FABIO E JOÃO TIVERAM AS MESMAS OPORTUNIDADES DE VIDA, FABIO HOJE É UM HOMEM RICO E BEM SUCEDIDO, PORQUE SE DEDICOU E SE ESFORÇOU MUITO PARA CHEGAR A ONDE ESTÁ, ENQUANTO JOÃO MORREU NO PRESIDIO, PORQUE ERA SÓ MAIS UM BANDIDO VAGABUNDO, QUE NÃO QUERIA TRABALHAR.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

NOTÍCIAS DIFÍCEIS


     As pessoas se enganam pensando que um psicólogo, psicanalista ou terapeuta psíquico em geral, consegue dar uma notícia difícil, como de um adoecimento ou morte, de maneira que não faça a pessoa sofrer. Pensar isso é uma tolice, se uma pessoa ama alguém, ou tem um forte vinculo com essa pessoa, não existe uma forma de dar uma noticia de morte ou doença grave, sem gerar nenhum sofrimento ao sujeito. A capacidade de um psicólogo em dar essa noticia, ou preparar alguém para dar esta, está mais na reação e compreensão do próprio psicólogo, do que nas palavras utilizadas, não existem palavras que isentem alguém da dor de perder um familiar, ou saber que a própria vida tem uma data marcada para terminar, mas existem sim palavras capazes de agravar isso, a tarefa do terapeuta, é não utilizar essas palavras e ensinar a quem tem a função de dar tais noticias que também não utilize tais palavras.
      O erro começa em você pensar que pode dar uma noticia difícil sem que o sujeito sofra, pois esse pressuposto já demonstra que você está desconsiderando o direito dele de sofrer e o sentido e função de seu sofrimento. Para humanos em geral, é tão difícil dar noticias de morte, ou de doença grave, porque nos deparamos com nossos próprios medos desses assuntos. Esse é o primeiro passo a ser superado, se esforçar para anular a nossa própria dor, a ponto de ser capaz de auxiliar o outro com a dor dele. Outro grave erro que cometemos, é partir do pressuposto da dor e não aceitar nenhuma reação diferente dela. Quando damos a noticia de que alguém morreu para outra pessoa, nossa construção social nos leva a acreditar que essa pessoa vai sofrer. Ainda mais se era um parente ou alguém próximo, e muitas vezes nos é inconcebível pensar em uma possibilidade de reação diferente, quando estamos tomando nossa própria história de vida, para determinar a reação dessa pessoa. Por exemplo, uma filha pode se alegrar muito com a morte de seu pai, ou ficar aliviada, comemorar por sinal e não cabe a nós julgar o porque ela está feliz do pai ter morrido, muito menos nos cabe afirmar que isso é errado ou ruim, porque o mesmo imbecil que afirma que ela não deveria se alegrar com a morte do pai, é o mesmo imbecil que irá lhe dar total apoio, assim que descobrir que o pai a espancou e estuprou por anos a fio, sem que ela pudesse reagir ou fugir. Nós não temos condição nem direito algum de julgar os sentimentos alheios.
      Mas porque psicólogos são considerados mais habilitados a dar essas noticias então? Justamente por ter a compreensão explicada no parágrafo anterior. Por o psicólogo saber, ou ao menos espera-se que saiba, quando é um bom profissional, por ele saber que seus sentimentos não são os mesmos do outro, e que diante desse, só os sentimentos do outro importam e tem valor, não cabendo a ele manifestar nenhum julgamento, ele tem condições de dar uma noticia que pode ser dolorosa, mas sabendo que ela também pode não ser. E desse modo respeitar a reação do sujeito, entendendo que se ele chora ou ri com a noticia que trago, é uma reação que essa pessoa tem a situação e é dela, não nem certa nem errada, é apenas dela. Isso possibilita um respeito aos sentimentos do outro, sejam eles, quais forem.
    Claro que existem palavras mais assertivas que podem ser utilizadas, mas a compreensão do exposto aqui anteriormente, é muito mais importante de com que palavras alguém irá dar uma noticia. Compreender que se noticia for dolorosa para a pessoa, ela vai sofrer indiferente como eu de essa noticia e que se ela não sofrer, ela tem o direito inclusive de estar alegre com uma noticia que para mim seria triste, esse passo é mais valioso que a escolha de palavras. Porém, existem palavras capazes de jogar sal em uma ferida aberta, evita-las é um bom começo na direção de um acerto.
    Qualquer manifestação do EU da pessoa que trás a noticia, é sempre ruim, pois a noticia não está sendo recebida por você, então fazer afirmação de eu estou sofrendo tanto quanto você, ou eu faria tal coisa, ou eu passei por isso, toda manifestação do EU é errônea, pois cada sujeito é único, não interessa o que você pensa e faria, porque a pessoa irá pensar e fazer por ela própria. Os sentimentos são dela e não seus, e será impossível para você saber como ela se sente, porque você não é ela.
      Frases clichês são outra coisa a se evitar manifestar, do tipo, ao noticiar a morte de alguém, afirmar: “Ah, ele foi para um lugar melhor!” — “Por que você não vai junto com ele, para esse lugar melhor então?”. Você não sabe se a pessoa acredita em qualquer tipo de vida após a morte, ou se ela segue qualquer religião, quem é você para dizer que uma pessoa que morreu, foi para um lugar melhor, se nem mesmo sabemos para onde nós vamos após morrermos? Se é que vamos para algum lugar. Partir de crenças minhas para falar da vida do outro, é sempre um grave erro.
      Qualquer outra frase pronta será ruim: “Vai passar”, “Nem foi tudo isso”, “não fique assim”... Você não sabe se vai passar, tem pessoas que recebem a noticia de uma doença grave e cometem suicídio, para ela passou, mas eu imagino que não era isso que você pensava quando afirmou que iria passar. Não de ao outro, certezas que você mesmo não tem.
      A escolha excessiva de palavras pode trabalhar mais contra do que a favor de uma noticia difícil, pois o sujeito ficará cada vez mais irritado e produzindo mais fantasias a respeito e nossas fantasias podem ser muito mais danosas, do que a realidade. Sempre que uma noticia tem que ser dada, é importante que ela seja sucinta e compreensível, após dar a noticia, de acordo com o que a pessoa manifesta como interesse saber, você vai esmiuçando, mas não por pressuposto do que você acha importante ela saber e sim de acordo com o que ela demonstra estar interessada.
    As pessoas tem o péssimo hábito de querer falar, quando deveriam apenas ouvir, não tente dizer a respeito da pessoa, do que é melhor para ela, ou do que ela deve ou não fazer, pois você não sabe essas informações. Apenas ouça o que ela sente, deixe-a falar o que pretende fazer ou pensa, se é que ela tem interesse em falar para você, pois pode ser que ela só queira ficar em silencio, talvez ela nem queira a sua companhia, talvez só queira ficar sozinha.
    Notícias difíceis, sempre serão difíceis, muitas vezes mais difíceis para quem noticia, do que para quem recebe. E não temos como torna-las fáceis, temos como não torná-las ainda piores.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

CRITICA AO FILME ELE ESTÁ DE VOLTA


         Um filme que mistura humor, com indignação, crítica social e realidade atual. Há muito tempo não via um filme que misturasse tantas coisas, sem ser confuso e mantendo uma absurda coerência.
          O contexto é dois mil e quatorze, misteriosamente uma figura se intitulando Hitler, surge na Alemanha. Com carisma, conquista milhares de pessoas as tornando suas admiradoras, utilizando um discurso de critica política e combate a corrupção do país.
    O personagem é carismático e mesmo com a população considerando sua atuação um quadro de humor, rapidamente são cativados por suas ideias.
        É interessante como a população aceita com facilidade um discurso fascista, não é surpreendente, ainda mais no contexto brasileiro atual, mas é interessante, que não se precise mentir a respeito do fascismo. Se um político pretende promover o fascismo, não precisa escolher meias palavras, nem esconder seus objetivos, pois seu discurso fascista cativa o fascista existente dentro de cada ser humano.
          O filme segue em um tom humorístico, mesmo em cenas que deveriam ser muito impactantes, isso faz com que ao assistir, sinta-se uma mistura de vontade de rir, chorar e vomitar. Não sei se todos que o assistem passam por essa experiência, mas a mim, que estudei muito a respeito do nazismo e presencio uma situação política contemporânea preocupante, me causou um enorme misto de sensações. Fica ainda mais claro e evidente para mim, que o fascismo não é produzido a força nos que o apoiam, ele é uma conquista, quem é contrario a ele, luta, mas quem apoia, não foi forçado a apoiar o fascismo, apenas encontrou na boca de outro, as palavras da própria revolta. A pequenas doses, se convence a população, que em nome de uma nação se pode fazer o necessário, de inicio, apenas gritar, depois torturar, matar... E tudo segue em um clima de humor e naturalidade, como se o fascismo fosse uma forma de vida comum e não um crime contra a humanidade.
           Um excelente filme, mas uma triste realidade.

SOBRE O FIM DO GOOGLE PLUS E PORQUE NÃO USO FACEBOOK




       Comecemos com o porque o Filosofia Da Psique não tem Facebook e gostaria de não precisar recorrer a ele. O primeiro motivo para nosso projeto não estar no Facebook e o mais importante de todos, é ideológico, pois como bom Nitzschiano, sou contrario a todas as formas de idolatria e coloco isso como um padrão ético de nosso projeto. Desde o começo dessa rede social, quando eu mesmo nem utilizava internet ainda, algo que sempre me gerou repulsa, foi à idolatria desenvolvida pela imensa maioria que utiliza essa rede, tanto que até os dias atuais, quando informo que não tenho Facebook, as pessoas se espantam. Eu me espanto quando alguém quer falar sobre política, sem ter lido Maquiavel, isso me espanta, alguém ter ou não uma rede social me é irrelevante.
            Mais tarde, eu teria outro motivo para não utilizar essa rede, pois quando tive de fato acesso a ela, me causou enjoo, ver a quantidade de poluição visual existente, menus desnecessários, publicidades e tantas outras inutilidades sujando a tela do computador. Tive essa triste experiência na época que comecei com o canal do Youtube, pois buscava uma forma de divulgar nosso trabalho e fazê-lo atingir um publico maior, nesse mesmo período conheci uma pessoa muito importante para o começo de nosso trabalho, que me ajudou a divulgar o canal e me apresentou ao G+ (Google Plus) como uma alternativa de dar visibilidade aos vídeos. Comecei a utiliza-lo logo no começo do canal, e com o tempo passei a aprecia-lo muito, primeiro porque sempre foi uma rede social muito versátil, possibilitando compartilhamento de vídeos, links, imagens, apenas textos, além de gifs, isso muito antes de todas as outras redes sociais permitirem o compartilhamento desse tipo de arquivo. O segundo motivo para gostar do G+, é seu visual extremamente minimalista, sem excessos e sem publicidade, bastante limpo. Infelizmente com o passar do tempo, a Google foi realizando péssimas atualizações no seu produto, a cada atualização cem por cento desnecessária, junto vinha alguma falha, ou era o contador de seguidores, que variava de número, ou os comentários em postagens que desapareciam, ou as notificações tendo problema de visualizações, ainda assim, até o momento atual, o G+ se demonstra a melhor rede social disponível, com mais recursos e menos poluição visual, sendo muito organizado e estético, mas infelizmente ao que tudo indica, ficaremos sem ele, pois estão saindo noticias em vários lugares, blogs e sites, sobre o fim dessa rede social, devido a falhas inclusive de segurança, dos dados de seus usuários, para o Filosofia Da Psique, é uma triste notícia, pois o G+ fez parte do nosso projeto por esses quase quatro anos de trabalho, sendo uma importante ferramenta, para a divulgação dos vídeos, e para o compartilhamento de informações e conteúdos, de vários gêneros, principalmente, de psicologia, psicanálise e filosofia. Mas nos adaptaremos, nunca usei o Facebook e pelos motivos já citados, possivelmente não o usarei, mas nosso projeto conta com esse Blog, que possivelmente terá postagens mais frequentes caso ocorra de fato o fim do G+, assim como a página do Instagram, na qual seguiremos postando as imagens e textos curtos que fazem parte do nosso trabalho. Claro, não esqueçamos que o nosso principal meio de comunicação, o mais popular, conhecido e usado, nosso canal do Youtube, segue com seus mais de quinhentos vídeos.
         Para quem gosta do nosso trabalho, e vem nos acompanhando ao longo desses quase quatro anos, fica a dica, para se ainda não é inscrita ou inscrito em nosso canal, acessa, se inscreve e acompanha o trabalho por ele, assim como pela nossa página do Instagram. O G+ tendo ou não seu fim, seguiremos com o trabalho do Filosofia Da Psique, como já fazemos a anos, caso fiquemos sem internet, seguiremos em praça pública, mas iremos parar de compartilhar o conhecimento que adquirimos e lutar por um mundo melhor, com menos ignorância, que é a origem de todos os males.
         Não se esqueça, caso você tenha conta da Google, pode seguir esse Blog, caso não tenha salve o endereço em seus favoritos, para estar acompanhando nossas postagens, e se inscreva no canal e no Instagram, para não perder o contato com nosso projeto, cada pessoa que nos segue e acompanha nosso trabalho, é de grande valor para nós.


domingo, 30 de setembro de 2018

MUDANÇAS EM RELAÇÃO AO TRABALHO DO PROJETO FILOSOFIA DA PSIQUE.



            Ao longo da existência do projeto Filosofia Da psique, muitas pessoas vem nos acompanhando, auxiliando a divulgar e manifestando carinho em relação ao nosso trabalho. Agradeço a todas as pessoas por isso, nosso canal em conjunto com as redes sociais cresceram e visando manter a qualidade do trabalho e poder responder adequadamente a todas as pessoas que de fato acompanham nosso trabalho e se interessam pela construção de conhecimento, estou tomando algumas decisões que afetam os comentários dos vídeos e postagens em geral, que envolvem nosso projeto.
            Notei ao longo desses quase quatro anos de existência do projeto, que muitas pessoas assistem a nossos vídeos como um complemento as leituras e aulas, para ter uma visão diferente do conteúdo, exatamente dentro da proposta do projeto. Mas infelizmente, também notei que muitas pessoas assistem a nossos vídeos como uma forma de saber algo a respeito do conteúdo sem ler o livro ou artigos a respeito, apenas como uma forma de fazer trabalhos de escola ou faculdade de uma maneira mais “preguiçosa” sem a dedicação necessária para um trabalho de boa qualidade. Ainda pior do que isso, existem pessoas que nem mesmo assistem ao vídeo e deixam nos comentários perguntas que evidentemente fazem parte de alguma atividade solicitada por professores, a qual a pessoa está com preguiça de responder, por tanto, deixa nos comentários esperando que eu responda por ela. Como sei dessas coisas? Lembrem-se meu trabalho é estudar a mente humana, então a forma como uma pessoa estrutura seu texto, as palavras que usa, a pergunta que faz e até mesmo as palavras que utiliza para cumprimentar, dão indícios disso.
            Ao longo do tempo sempre fui muito educado com todas as pessoas que nos seguem, mesmo com as que em contrapartida não eram tão educadas assim. Mesmo aquelas que perguntavam coisas que eu tinha respondido durante o vídeo, o que deixava evidente que não tinham assistido até o final, ou ao menos não com grande atenção, mesmo assim, sempre respondi de maneira delicada, no máximo indicando que assistisse novamente o material e caso ainda assim não entendesse, me perguntasse novamente. Mas como tenho estado cada vez mais atarefado, com menos tempo e energia, além de cada vez mais incomodado, por saber que algumas pessoas tem utilizado nosso trabalho com finalidades levianas, como as mencionadas, tomei a decisão de mudar minha postura com relação aos comentários nos vídeos e postagens. Até mesmo porque o nosso projeto está entre poucos do YouTube com a mesma visibilidade que o nosso, que responde a praticamente todos os comentários realizados. Ao longo do tempo de atuação, tivemos mais de seis mil e trezentos comentários, e como mencionado, quase todos respondidos, ficando sem resposta apenas alguns sem relação com a temática, ou que eram ofensivos. Para visar manter essa atenção com nossas seguidoras e seguidores, as medidas tomadas com relação aos novos comentários são as seguintes:
* Comentários que não tenham uma relação direta ou minimamente indireta com a temática trabalhada no vídeo e que não sejam parabenização pelo trabalho, ou critica embasada apontando melhorias, serão deletados de imediato, sem resposta.
* Opiniões que não tenham um embasamento teórico, ou minimamente demonstrem conhecimento do autor e teoria trabalhado, ou que manifestem preconceito de qualquer gênero, serão igualmente excluídos.
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            Sei que é inconveniente falar, ouvir ou ler sobre regras, eu sou um dos que mais me incomodo com isso, mas infelizmente, a sociedade se demonstra imatura demais, para ser possível fazer de outro modo. Então até que a nossa sociedade seja capaz de amadurecimento e tomada de consciência o suficiente, para distinguir as coisas e pensar sobre as consequências de seus atos, teremos que continuar estabelecendo regras e penalizando quem as descumpra.
            Todas as mudanças estabelecidas aqui cumprem com o nosso código de ética descrito no projeto do Filosofia Da Psique, que pode ser acessado no link: https://filosofiadapsique.blogspot.com.br/2017/07/projeto-filosofia-da-psique.html


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

A ANÁLISE SELVAGEM


        Na obra Psicanálise Selvagem, ou Psicanálise Silvestre a depender da tradução, Freud fala a respeito da analise realizada por um médico sem preparo teórico e desconhecendo o contexto de sua paciente. As criticas que Freud realiza na sequência, demonstram o quanto é sem sentido a tentativa de analisar algo que lhe é desconhecido. Sabemos por outras obras tanto de Freud quanto de outros autores, que quando uma pessoa tenta falar a respeito de outra que acabou de conhecer, está falando a respeito dela própria, nada da outra, pois sem conhecermos o contexto da vida da pessoa e sem entendermos a visão de mundo dela, nos é impossível falar qualquer coisa dela. Até mesmo, porque se afirma entre muitos psicanalistas, que a analise, não é feita pelo analista, mas sim pelo próprio paciente, o analista apenas indica possibilidades, sem ter certeza nenhuma se essa possibilidade de fato faz sentido ou não, é o paciente quem vai confirmar ou negar o sentido.
            Infelizmente um dos erros mais comuns de serem cometidos por estudantes, é fazer analises de situações a partir de suas próprias visões de mundo. Nada conhecem sobre a outra pessoa, não sabem como ela representa o mundo e seus sentimentos, e tentam de maneira desastrosa afirmar algo sobre a vida dessa pessoa, o que acaba não fazendo nenhum sentido para ela, e é nesse momento que você percebe o quanto foi falha essa tentativa, pois se a pessoa se irritar, certamente a analise fez sentido. Mas o que normalmente ocorre, é que a outra pessoa fica com uma sensação de estar tentando conversar com uma parede, pois do nada surge uma afirmação que não faz sentido nenhum para ela.
           Quando percebemos algo sobre uma pessoa que acreditamos ser importante apontar para ela, primeira coisa a contabilizar, é o fato de que provavelmente o que será dito, fala mais a respeito do locutor, do que do ouvinte, segunda coisa, sempre aponta-se em sentido de questionamento, pois somente a pessoa pode negar ou confirmar, já que somente ela conhece sua vida. A terceira coisa a se contabilizar, é que se você fez três apontamentos em menos de cinco minutos, você está ansioso com o que está ouvindo, não que exista algum conteúdo a ser analisado ali.


sábado, 7 de julho de 2018

PSICANÁLISE SILVESTRE (1910)


FREUD, Sigmund. Psicanálise Silvestre. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Imago. 1987.

         Freud nos alerta para os riscos de uma interpretação apressada e desentendida da teoria psicanalítica. Ao receber uma paciente com queixa de quadros de ansiedade, ela relata que o médico visitado antes, atribuiu sua doença a falta de atividade sexual, pois havia se separado do marido, sendo que deveria buscar Freud, para que confirma-se esse diagnóstico, já que seria ele a fazer essa nova descoberta.
        A paciente estava convencida de não poder se curar, pois suas alternativas segundo o médico anterior, seriam voltar ao ex marido, buscar um amante ou masturbar-se, sendo para ela todas as práticas citadas inadmissíveis, estava convencida de que não teria cura.
       Freud chama a atenção para o fato de que pacientes, quando descontentes com o diagnóstico ou atendimento de um médico, podem exagerar, ou distorcer o que de fato foi dito, por tanto não podemos condenar apressadamente esse profissional mencionado, pois desconhecemos o que de fato ele disse e o que faz parte da interpretação da paciente. Mas para discutir o tema, tomemos por verdadeiro o que a paciente afirma e consideremos que o médico teria lhe dito exatamente dessa forma.
    A primeira questão que nos fica evidente é o completo desentendimento do que é sexualidade para a psicanálise. É verdade que o ato sexual faz parte da sexualidade e que alguns dos casos psicanalíticos têm uma ligação com atos sexuais, mas se resumiria a isso a teoria? Para a psicanálise, a sexualidade se estende muito além dos limites do ato sexual, se entende por sexualidade toda a busca de prazer e evitabilidade de desprazer. Nesse sentido, o ato de se alimentar obtendo prazer de um saboroso prato, envolve a sexualidade, através da obtenção de prazer pelo nosso órgão de prazer mais primitivo, a boca. Sendo assim, o primeiro grave erro cometido por esse médico, seria falar sobre uma teoria da qual certamente em nada se apropriou, nada estudou, por isso considerou como sexualidade apenas o coito e seus análogos, como a masturbação.
        Outro erro cometido por esse médico, além da falta de tato ao discutir sexualidade com sua paciente, foi acreditar que ela seria ignorante o suficiente para não saber que poderia ter um amante, ou masturbar-se, seria ele tolo o suficiente para acreditar que se o problema dela era a falta de sexo, uma mulher adulta de seus quarenta anos, não saberia como buscar um parceiro ou como masturbar-se? Ou ainda, ele acreditou que ela precisava da autorização médica para isso?
     O médico também ignorou por completo o fato de que a paciente relata já vir sofrendo de ansiedade antes, tendo a separação apenas intensificado o quadro.
     Por tanto se pretende-se falar em nome da psicanálise, ou utilizar dessa para um diagnóstico: “Não é bastante, pois, para um médico saber alguns dos achados da psicanálise; êle deve também estar familiarizado com a técnica se êle deseja que seu procedimento profissional se oriente por um ponto de vista psicanalítico.” (p. 212)
   Freud afirma que em geral esse tipo de interpretação e intervenção silvestre, tende mais a gerar prejuízos ao nome da psicanálise, do que ao paciente em si, pois estando de tal modo errado o suposto psicanalista, suas interpretações não farão sentido para o paciente, desse modo não o moverão em nenhum sentido, mas a teoria que já sofre preconceitos acaba ainda mais afetada.


SOBRE O MECANISMO PSÍQUICO DOS FENÔMENOS HISTÉRICOS: UMA CONFERÊNCIA (1893)


FREUD, Sigmund. Sobre o Mecanismo Psíquico dos Fenômenos Histéricos: Uma Conferência. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Imago. 1987.

        Charcot estuda o que os franceses chamam de “neurose maior” equivalente à histeria na obra Freudiana. Através de Charcot foi possível compreender melhor a histeria traumática, quando um paciente sofre um trauma psíquico ligado a uma parte de seu corpo. Freud utiliza o exemplo de um trabalhador que sofre um acidente, no qual uma madeira cai em seu ombro, ele vai para a casa sem nada grave, apenas com uma pequena contusão, após um período que Freud denomina encubação, esse trabalhador acorda com seu braço paralisado, sem saber o porquê, possivelmente, sem nem mesmo se recordar do acidente ocorrido, aqui se estabelece uma histeria traumática.
      Freud nos chama a atenção, para uma outra categoria de histeria, a que ele e Breuer estudam a partir do caso Anna O e dos casos atendidos por Freud como Emmy Von N, essa categoria Freud classifica como histeria comum, ou não traumática, se referindo ao fato de nesses casos, não existir um evento físico causador do sintoma. No caso do trabalhador citado por Freud, temos um trauma físico, o impacto da madeira, no caso de Anna O e Emmy Von N, não existe esse acontecimento físico, hoje entendemos como trauma psíquico, mas Freud se refere a algo diretamente ligado ao corpo.
       Freud toma, por exemplo, situações de transtornos alimentares, citando uma paciente que vivenciou situações de grande afeto nos momentos de alimentação, como ser obrigada a sentar-se a mesa com pessoas que a desagradavam muito, assim como vivenciar cenas asquerosas durante a alimentação, ou ser obrigada a comer algo que desagradava de maneira significativa seu paladar, e posteriormente, sente grande enjoo antes da alimentação, chegando a vomitar. Ele também faz uma referência à anorexia, considerando que essa recusa em se alimentar, pode em muitos dos casos, vir igualmente de situações vivenciadas durante a alimentação.
         Freud faz uma referência ao fato de um trauma dificilmente se referir apenas aquela situação vivenciada, mas na maioria das vezes, ter uma ligação com cenas anteriores mais primitivas. Ou seja, uma situação em si, não é traumática, mas quando essa situação se liga a anteriores vivenciadas, forma-se o trauma, nesse caso, trauma psíquico, não físico.
      Por exemplo, uma pessoa que tem seu carro fechado no trânsito, porém sem nenhum tipo de sequela ou consequência física, ainda assim, desenvolve uma paralisia de algum membro, possivelmente o quase acidente de carro, em si, não foi o ponto inicial, mas apenas o desencadeador, o trauma já vinha se formando através de um evento no qual um parente próximo cometeu suicídio utilizando o carro, por exemplo, ou um acidente automobilístico sofrido pela mãe durante a gravidez. Uma ligação mais primitiva, com eventos de grande carga afetiva.
         Freud também nos faz referência ao fato de os sintomas serem desencadeados por situações nas quais a pessoa não expressou uma carga afetiva de desprezo, repulsa ou nojo. Tomando por base o caso Anna O, a paciente desenvolveu um transtorno alimentar relacionado à ingestão de água, após ver um cão bebendo água de seu copo. Naquele momento, ela não conseguiu verbalizar a repulsa sentida, e esse afeto não manifestado, se transforma no sintoma de ser incapaz de beber água.
         Temos que considerar, que quando Freud estuda a histeria, está imerso em uma cultura de grande repressão, sexual e moral, apesar de em uma de suas obrar afirmar que para algumas cidades, Viena era considerada liberal demais, o que me assombra. Mas tomando por base essa repressão da época, principalmente uma repressão sobre as mulheres, de como: deveriam se portar, da imoralidade de uma mulher ter desejos sexuais, ou fantasias eróticas, diante dessa imensa repressão, temos sintomas tão gritantes quanto a repressão se demonstrava. Nos dias atuais, não temos uma repressão tão intensa, ainda existe sim, mas com menos força, o que faz com que atualmente, os sintomas da histeria também sejam mais brandos, ainda encontramos casos clássicos de paralisias, mas de maneira geral, temos muito mais, doenças autoimunes, casos de transtornos alimentares, ou doenças relacionadas ao estômago, enxaquecas sem casas neurológicas, desmaios em situações de estresse, formas diferentes de se relacionar com o corpo, que em suma, não se distanciam tanto da histeria clássica. A repressão, já não se faz mais tão evidente, mas a cobrança social a substitui com eficiência, não se da tanta ênfase ao que não se pode fazer, mas continua-se cobrando o que devemos ser.

sábado, 9 de junho de 2018

AS TRÊS PRINCIPAIS FORMAS DE ACESSO AO CONHECIMENTO


      Temos três formas básicas de acesso ao conhecimento: Mitologia, Filosofia e Ciência.


            Na primeira e mais antiga, o ser humano buscou explicar o mundo através de deuses e suas vontades. Nesse período o que hoje é distinguido como fantasia e realidade, não fazia sentido, pois o mito era a forma mais eficiente de compreender a realidade. Mas essa eficiência foi se tornando questionável, a cada nova experiência vivida o mito se tornava mais insuficiente para compreender o mundo.
            Nesse movimento seres humanos que tinham condições de viajar mais e conhecer culturas diferentes, eram entendidos como mais sábios, criando o movimento dos sofistas, que seriam precursores dos filósofos. Os sofistas compartilhavam suas verdades sobre os sentimentos humanos e aquilo que conheciam em suas viagens a terras distantes, mas isso tinha um custo. Nesse sentido, efetuando uma critica tanto ao fato de os sofistas cobrarem pelo conhecimento, como até mesmo em um questionamento da validade desse conhecimento, surge Sócrates, que retomaremos logo mais.
            No mesmo período dos sofistas, tínhamos os filósofos da fisís, sujeitos que se dedicavam a tentar explicar o surgimento do universo, por vias mais racionais e sensatas do que a religiosa. Para isso uma de suas grandes buscas foi o arché, supostamente uma substância da qual teria surgido todo o conhecido. Seu método partia da dedução e raciocínio lógico, tentando criar suposições coerentes.
            Sócrates anteriormente mencionado era um apreciador do método de pensamento dos filósofos da fisís, mas tinha grande interesse pelo material de estudo dos sofistas. Desse modo ele tenta, utilizar a sistematização de pensamento dos filósofos aplicada aos sentimentos e pensamentos humanos. Seria ele o responsável por mudar o foco de analise da filosofia.
            A filosofia perdurou por anos como a principal forma de acesso ao conhecimento, mas de suas próprias entranhas, surgiria a sua substituta, para alguns, que de fato consideram esse nova forma como mais coerente que a anterior, para outros como eu, é apenas um método paralelo, não necessariamente melhor.
            A cada novo filósofo, parecia mais coerente se deixar levar mais pelos dados sensoriais do que pelo pensamento lógico. Os filósofos começam a desejar mais sentir e tentar, ao pensar e deduzir. Desse modo começam a valorizar de maneira significativa a experiência no mundo, as sensações e observações, dando força ao método cientifico.
            A realidade é que mesmo com a ciência sendo considerada o método mais valido atualmente, ainda apresenta centenas de falhas e a forma como a maioria continua acessando o conhecimento, ainda é pelo método filosófico, pois mesmo a construção do conhecimento sendo cientifica, a maioria das pessoas não replica experimentos no seu dia a dia, para conferir a validade deles, o que fazem, é apenas confiar por dedução lógica que as coisas devem ser feitas do modo que fazem. Quando um médico receita o medicamento, seu paciente não testa em laboratório a formula antes de consumi-lo, o que faz é deduzir por lógica que o médico teve uma formação adequada para receitar-lhe aquele medicamento e que esse remédio foi testado e comprovada sua eficiência por pessoas da área. Mas de fato, o paciente não experienciou nada disso, nem a formação do médico, nem os experimentos com o medicamento, por isso todo o conhecimento que ele tenha ou a confiança que deposita no profissional e no medicamento, advém de um pensamento filosófico e não cientifico.

sábado, 24 de março de 2018

ERROS BANAIS QUE ATÉ MESMO PSICANALISTAS COMETEM AO FALAR SOBRE PSICANÁLISE


        

            
           Atribuir a descoberta do inconsciente a Sigmund Freud: “O conceito de inconsciente por muito tempo esteve batendo aos portões da psicologia, pedindo para entrar. A filosofia e a literatura quase sempre o manipularam distraidamente, mas a ciência não lhe pôde achar uso. A psicanálise apossou-se do conceito, levou-o a sério e forneceu-lhe um novo conteúdo. Por suas pesquisas, ela foi conduzida a um conhecimento das características do inconsciente psíquico que até então não haviam sido suspeitadas, e descobriu algumas das leis que o governam.” (Freud 1940)
            Afirmar que Freud atendeu Schreber: O Caso Schreber é um caso de estudo e não um caso clínico. Freud não atendeu psicóticos, alias ele nem mesmo acreditava que a psicanálise poderia tratar as psicoses, apenas as neuroses. Quem vai de fato se aprofundar na clínica psicanalítica da psicose é Lacan.
            O caso Schreber foi escrito por Freud com base na leitura do livro do próprio Schreber, assim como ele fez a analise de Leonardo da Vince e Moises, através de livros e relatos históricos.
          Atribuir o desenvolvimento da psicanálise exclusivamente a Sigmund Freud: Freud é apenas uma parte da história da psicanálise, é quem a assumiu e suportou todas as consequências geradas por essa nova área de conhecimento, mas a construção dela teve a participação de varias pessoas, duas das mais importantes citadas amplamente por Freud, são: Josef Breuer e Jean Martim Charcot. Mais tarde varias pessoas se envolveram e fizeram suas contribuições, Jung, por exemplo, é frequentemente citado por Freud, apesar das desavenças, mais por parte de Freud do que de Jung, Freud continuou utilizando vários conceitos cunhados por Jung, e o citando em suas obras.
       Defender a vida pessoal de Freud, ou a condição de sua personalidade com maior empenho do que defende a própria psicanálise: Que Freud tinha uma personalidade difícil, para não dizer quase impossível, não é novidade, não a toa que tantas pessoas o abandonaram. O uso de cocaína menos ainda seria segredo, já que o próprio Freud fala sobre isso em correspondências. O que muitos psicanalistas perdem de vista, é que não importa o que Freud fazia, mas sim a teoria que ele criou.
            O Fato de ele utilizar cocaína, ter uma personalidade difícil, etc. não fala da teoria psicanalítica em si, fala sobre a vida pessoal de Freud, pode até ser que esses fatores influenciaram em algo, mas não invalidam a teoria.
           O que os psicanalistas tem que entender é que o fato de Amy Jade Winehouse ter morrido por consumo de álcool e Chorão até onde sabemos ter morrido por uso de cocaína, não muda a qualidade da musica deles, continuaram sendo alguns dos maiores nomes da musica e sua musica continuará sendo de excelente qualidade, indiferente a vida desregrada que levaram. Não temos que nos dar ao trabalho de defender a vida pessoal de Freud, pois o interesse é na sua obra, não quero me casar com Freud, mas sim, utilizar a psicanálise para uma compreensão de sujeito e mundo. O que me interessa são a consistência e qualidade da teoria psicanalítica.
          Atribuir à escrita do caso Anna O a Freud: Esse é um erro que eu mesmo já cometi no inicio de meus estudos psicanalíticos. Devido a Freud ter escrito o volume dois de suas obras, Estudos Sobre a Histeria, em conjunto com Breuer, torna fácil confundir de quem seria a autoria de quais textos. Algumas pessoas cometem um erro ainda maior, de afirmar que a Anna O seria paciente do Freud, até onde sabemos Freud até chegou a atendê-la, mas no livro a descrição é do atendimento realizado por Breuer e não Freud. E segundo o que consta, foi escrito pelo próprio Breuer, apesar de eu ter suposições diferentes, a escrita me parece muito freudiana, suspeito que Freud tenha escrito segundo o que Breuer o relatou e apenas colocou o nome de Breuer no texto. Mas isso são apenas suposições sem provas.

            Esses são os principais erros cometidos por quem conhece a psicanálise, mas às vezes não leu com a atenção devida, ou não leu todas as obras freudianas e acaba falando coisas que contrariam o próprio Freud.
            Agora vamos ver um pouco sobre os graves erros cometidos por pessoas que nada sabem de psicanálise e acabam pronunciando um monte de asneiras ridículas.

          Misturar psicanálise com religião: Foi o principal motivo da briga de Freud com Jung e uma das principais criticas dele ao longo de muitas obras. Freud considera a religião uma doença inútil à humanidade, com ele apresenta na obra O Mal-Estar na Civilização. O cumulo da ignorância é alguém utilizar psicanálise freudiana para qualquer aspecto religioso.
        Falar sobre sexualidade como se fosse sinônimo de ato sexual ou genitalidade: Como mencionei, esses são erros ridículos cometidos por quem não leu se quer duas páginas sobre psicanálise. Sexualidade se refere ao desejo, a pulsão de vida, o que nos faz desejar e buscar o prazer na realização do desejo. O ato sexual é um parte mínima da sexualidade.
           Falar sobre o uso de cocaína por parte de Freud, como se o consumo fosse do mesmo modo que o recreativo atual: Quando Freud utilizou a cocaína, foi como forma de medicamento, não um uso recreativo. Traduzindo em palavras leigas, Freud não tomou cocaína para ficar “chapadão”, mas sim como um repositor energético. E não, eu não me enganei ao escrever que Freud TOMAVA cocaína, era exatamente desse modo que ele consumia, não injetava, nem cheirava, ele tomava como qualquer medicamento na época, assim como hoje tomamos um remédio para dor de cabeça.
           Falar de casos mal sucedidos do Freud como se fosse um segredo: Freud nunca disse que todos os seus casos foram bem sucedidos e nunca guardou segredo dos casos mal sucedidos, tanto, que publicou alguns deles, como é o caso Dora. Freud publicava seus erros, justamente para que outros pudessem fazer de outro modo e talvez acertar. Então falar dos erros de Freud é “chover no molhado”, pois ele próprio fala de seus erros em suas obras, isso não é novidade e nem de longe um segredo.
         Falar que a homossexualidade é perversão como se isso fosse algo ruim: Esse é certamente de longe o erro mais imbecil de todos. Freud disse sim que a homossexualidade era perversão, assim como o beijo na boca, assim como o sexo oral e qualquer outra prática preliminar do ato sexual, isso porque todas essas práticas pervertem a função original do ato sexual, que é a exclusiva reprodução, mas Freud nunca disse que isso deveria ser combatido, apenas afirmou que tudo que não seja com finalidade exclusiva reprodutiva, é uma perversão da função original do ato sexual, cometida por todos nós por sinal.
      Falar sobre psicanálise Freudiana na atualidade sem atualizações: Esse também é um erro cometido por quem não estudou absolutamente nada de psicanálise. Tomam a psicanálise freudiana e esquecem do contexto social no qual ela se desenvolveu, criticam o fato de a psicanálise freudiana se nortear pela ideia nuclear de família, mas esquecem que até uns cinquenta anos atrás, ainda se utilizava expressões como: Filho bastardo, mulher apartada, filho ilegítimo. É muita ignorância esperar que Freud escrevesse a cem anos atrás, com conceitos que seriam desenvolvidos apenas setenta anos mais tarde, a noção ampla que temos de família, é totalmente atual, e nem mesmo é aceita por todos, está cheio de ignorantes por ai defendendo que família é só pai, mãe e um casal de filhos loirinhos de olhos azuis. Mas ainda assim as pessoas criticam a psicanálise freudiana, pela ideia de núcleo família, inclusive, sem estudar para saber que os psicanalistas atuais seguem o entendimento de família amplo da psicologia atual, que a família nuclear é uma definição de um dado momento e período histórico.

       Eu sempre afirmo: “ninguém é obrigado a saber nada, mas todos são ética e moralmente obrigados a manter a boca fechada sobre aquilo que não sabem”. Infelizmente temos um grande número de pessoas falando sobre coisas que nunca estudaram ou leram. Com a psicanálise não é diferente, tem um monte de ignorantes, criticando-a por causa de uma frase solta que ouviram, nem sabem de onde veio, quem escreveu e em que contexto. Assim como temos pessoas que a estudam de maneira superficial, não se atualizam e acabam pronunciando coisas incoerentes ou desatualizadas que acabam descredibilizando a área.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

BRINQUEDOS EDUCATIVOS LEGAIS PARA DAR DE PRESENTE E ENSINAR UMA CRIANÇA A UTILIZAR.

    Alguns dos brinquedos que estarei mencionando aqui, infelizmente vêm perdendo seu espaço para celulares e outros acessórios eletrônicos. E digo infelizmente, não porque sou um saudosista que acredita que infância verdadeira é aquela em poças de lama jogando bola na rua, mas sim, porque todos os brinquedos que estarei apresentando, tem uma rica importância no desenvolvimento do intelecto infantil.
     Qualquer criança que brinque com essas ferramentas de aprendizado, estará mais sensível aos variados conhecimentos com os quais irá se deparar em seu desenvolvimento.
         É importante lembrar, que não basta presentear a criança, é preciso ensina-la a utilizar e brincar junto com ela, para incentiva-la no uso desses artifícios do intelecto, do contrario, uma ferramenta potencialmente poderosa, se tornará apenas lixo em um canto da casa.

            Instrumentos óticos.
           Qualquer instrumento que modifique a forma como a criança vê o mundo, tende a ser atrativa para está criança.


            Lupa: A lupa é um instrumento de aumento de tamanho das imagens. O uso dela leva a criança a perceber detalhes que a olho nu não são tão evidentes. Ensinar a criança a observar folhas de plantas, flores, amostras de rochas e solo, pode facilitar muito o futuro interesse dela nas aulas de geografia, biologia e química. Claro, que é ideal que os adultos próximos a criança, esclareçam suas curiosidades a respeito do que ela observa, com a internet na proporção que se apresenta na atualidade, podemos concilia-la com essa tecnologia de mais de quatrocentos anos, pode-se ensinar a criança a observar uma planta, por exemplo, e através de um site de botânica, tentar identificar qual a espécie de planta, a que família pertence, qual o formato de suas folhas. Sei que afirmando desse modo, parece algo que nenhuma criança “normal” se interessaria, mas acreditem, crianças costumam ser curiosas, talvez ela não passe o resto da vida identificando plantas e insetos em um diário como Darwin, mas o tempo que ela se interesse por essa atividade, já vai lhe proporcionar um ganho significativo.
            E uma das vantagens desse presente, é que tem um baixo custo, você encontra no mercado lupas de preços variados, mas as mais baratas ficam abaixo dos dez reais. E ainda existe a possibilidade de fabricar uma, junto com a criança, o que dobra o aprendizado. Se esse for o caso e você decidir fabricar junto com a criança, lembre-se de privilegiar as lupas feitas com garrafas de plástico e não as de lâmpadas incandescentes, apesar de as de lâmpada serem, na minha opinião, muito estéticas, creio que nem preciso dar muitas explicações do porque não é indicado uma criança correr para cima e para baixo, com um objeto de vidro extremamente fino e cortante.
     Outro aparelho nessa mesma proposta seria um microscópio, que apesar de quando profissional, custar muito caro, no caso de algumas versões infantis, são mais limitados, porem mais acessíveis. Também é possível fabricar algumas versões caseiras.
       Outra possibilidade nesse sentido é para o caso de crianças que já tem celular, ensina-las a utilizar o zoom da câmera, para ampliar os objetos, além de incentiva-las a registrar a imagem e catalogar pelo nome, flores, folhas, rochas... Apenas tome cuidado com o possível interesse da criança por insetos, pode ser um ótimo conhecimento para ela, mas é sempre necessário alerta-la dos riscos de insetos venenosos.


        Luneta: Uma luneta nas mãos de uma criança pode ser uma ótima ferramenta de desenvolvimento intelectual, desde que um adulto a ensine o uso correto do equipamento.
      O primeiro e mais óbvio uso para a luneta ou telescópio amador, é a observação da lua e estrelas, o que pode gerar um interesse pela astronomia e levar a criança a conhecimentos sobre o universo. O segundo uso possível para a luneta é a observação de paisagens, podendo-se explicar para a criança questões como a visão macro e micro exercidas na prática aplicada. Além de possibilitar o interesse por práticas artísticas como a pintura e o desenho. A terceira aplicação de uma luneta pode ser a observação de pássaros na natureza, claro que para isso é preciso morar em um local que tenha pássaros, o que em cidades pequenas não é raro. Também pode ser empregada na observação de insetos, mas sempre instruindo a criança a manter uma distância segura e nunca tocar nos insetos, pois sempre correrá o risco de se deparar com algum venenoso.
       Assim como os anteriores, também existe como fabricar uma luneta em casa, versões simples, de baixo custo, mas que já tornam possível uma boa diversão e aprendizado.
       Sempre valido lembrar, que caso sua escolha seja por comprar algum desses equipamentos, certifique-se de que o produto tenha o mínimo de qualidade necessário. Antes dar para a criança uma simples lupa, que mostra imagens limpas e nítidas ampliadas adequadamente, do que presentea-la com um telescópio que mostra imagens borradas e irreconhecíveis. Não é por ser um brinquedo infantil, que pode ser qualquer coisa de baixa qualidade. Até mesmo porque um equipamento de muito baixa qualidade pode colocar a saúde e até mesmo a vida da criança em risco.

            Instrumentos de cálculos.

            É bem comum encontrarmos crianças que não gostam muito de matemática, em parte isso é culpa das escolas, professores e grades curriculares, que tornam algo que poderia ser encantador, uma verdadeira tortura. Existem formas muito divertidas e diferentes de fazer cálculos.


        Contas: Por mais bobo que pareça, crianças costumam se encantar com a possibilidade de manusear vários pequenos objetos, como contas, que podem ser compradas, ou improvisadas com uma grande quantidade do mesmo objeto, por exemplo, um punhado de bolinhas de gude, ou pedrinhas coloridas. São também uma excelente possibilidade de ir ensinando a criança a formar grupos (aglomerados) de quantidades de contas, aumentando e diminuído essas quantidades, subtraindo e adicionando elementos ao grupo. Sempre lembrando que a idade da criança influi no tipo de contas que você pode deixar ao alcance dela, além de sempre instruí-la a não colocar nada na boca, ou em outros orifícios, o que não é nada incomum crianças fazerem.


     Ábaco: apesar de na atualidade ser considerado apenas um brinquedo, esse instrumento de cálculos, já foi utilizado por contadores reais, que organizavam finanças inclusive de bancos e “empresas” da antiguidade com ele.  É uma linda ferramenta para adicionar e subtrair um número significativo de valores. Infelizmente na maioria das vezes quando uma criança o ganha, acaba ficando jogado sem ela utilizar, em alguns casos, pelo simples fato de que ela não sabe utilizar e ninguém se propôs a ensina-la.
     Assim como praticamente todos os equipamentos que mencionei, o ábaco também pode ser construído em casa, com objetos comuns de plástico, que na maioria das vezes vão para o lixo. As versões compradas infelizmente não são tão baratas, mas também não chegam a ser um absurdo de caras.
         No caso de crianças que tenham celulares, existem vários aplicativos com jogos envolvendo cálculos, inclusive existem vários aplicativos interessantes, que simulam o ábaco.

            Brinquedos gerais


       Quebra-cabeças: auxilia a criança no desenvolvimento da noção espacial, além da visão macro e micro, já mencionada no tópico do telescópio.

            Jogo da memória: o nome já é bastante autoexplicativo.


            Lego: creio que nunca será um brinquedo ultrapassado, pois incentiva a criatividade e o planejamento.


            Tinta guache: esse tipo de tinta, que dilui em água, além de ser de fácil limpeza, possibilita a criança misturar cores e criar novas. Principalmente se você presenteá-la apenas com as cores primárias e o preto e branco. Ela vai se divertir mais criando cores, do que pintando em si. Claro que para isso você precisa ensina-la que a partir do: azul, vermelho, amarelo, preto e branco, ela pode formar qualquer cor perceptível aos olhos humanos.


            Massa de modelar: auxilia no desenvolvimento psicomotor, incentiva a criatividade e o desenvolvimento do tato. Além do fato de que crianças de modo geral, tem uma grande atração pela textura da massa, por isso brincam com barro e coisas semelhantes.
            Seguem-se uma infinidade de brinquedos que possibilitam o desenvolvimento psicomotor e intelectual de uma criança, esses são apenas uma pequena amostra, mas sempre lembre-se, ensinar a criança a usar o presente, é mais importante do que presentear.

            Dicas do que evitar
            Além do óbvio que se deve evitar dar a uma criança, como objetos muito pequenos ou cortantes, existem outros cuidados que nem sempre estamos atentos.
            Evitem dar para crianças jogos e brinquedos que precisem de duas crianças ou mais para jogar, se ela não costuma ter outra criança por perto. Parece meio obvio, mas o que mais acontece, é pessoas darem para uma criança que é sozinha em casa (sem outras crianças) e raramente recebe visitas, brinquedos que precisam de duas pessoas para brincar e nenhum dos adultos próximos dela, costuma dar a atenção que deveria. Isso é extremamente frustrante para uma criança. Nesses casos, privilegie jogos individuais.
            Evitem brinquedos que produzam sons altos, apesar de as crianças de modo geral amarem brinquedos barulhentos, seus cuidadores não costuma gostar e se ela morar em apartamento, os vizinhos apreciarão ainda menos.

            Desvie de brinquedos que utilizam pilhas para seu funcionamento, os cuidadores raramente se dão ao trabalho de comprar pilhas novas, normalmente o brinquedo ficará jogado em um canto por isso, além da facilidade que esses brinquedos movidos à pilha têm, de estragarem rapidamente.